
Rita Stella
Já está em andamento em Ribeirão Preto e em São Luiz, Maranhão, pesquisa que busca desvendar as causas dos nascimentos prematuros. Tendência mundial, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o aumento do nascimento antes das 37 semanas de gestação vem preocupando as autoridades em todo o mundo por tratar-se de condição associada a doenças e mortalidade significativas no início da vida e também em fase adulta.
Em Ribeirão Preto, o trabalho é coordenado pelos professores Marco Antonio Barbieri e Heloisa Bettiol, ambos do Departamento de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP (FMRP), que contam com equipes de pesquisadores e outros profissionais de apoio em todas as maternidades da cidade. Eles devem entrevistar cerca de 7.500 mães e colher amostras de salivas dos bebês recém-nascidos para investigação laboratorial de possíveis problemas de saúde futuros. Segundo a professora Heloisa Bettiol, desse total, espera-se encontrar entre 12 e 15% de prematuros.
Além da pesquisa na maternidade, outras equipes trabalham em Unidades Básicas de Saúde e Convênios Médicos com maior volume de pré-natais para identificar futuras mães que estejam no 5º mês de gestação. Esperam conseguir a adesão de 1.500 delas, as quais deverão passar por exames (ultrassom) e responder questionários específicos que avaliarão aspectos de saúde e vida das futuras mães.
Pesquisa inédita no Brasil Entre 1978 e 1979, a equipe da FMRP foi responsável pelo primeiro estudo epidemiológico mais abrangente feito no país. Cadastraram 6.750 crianças, acompanhando seus desenvolvimentos, possibilitando comparações e informações em diferentes etapas de suas vidas até a maioridade.
Em 1994, realizaram novo estudo. Desta vez com uma amostra de 2.846 indivíduos nascidos em Ribeirão Preto. Agora, reiniciaram a pesquisa e pretendem acompanhar todos os nascidos em Ribeirão Preto (cujas mães morem na cidade) em 2010.
Apesar da cesariana já ter sido identificada como um dos fatores de aumento da prematuridade - as pesquisas da equipe mostraram que entre 1978 e 1994 houve aumento de 30% neste tipo de parto, pouco ainda se sabe sobre as conseqüências da prematuridade. “Com as mudanças dos últimos anos, verificamos a diminuição de infecções e diarréias nos bebês, com consequente diminuição da mortalidade; mas o aumento do parto prematuro, dos nascimentos com baixo peso e redução do crescimento intrauterino levou a um novo modelo epidemiológico. Hoje, vemos o aumento das doenças imunológicas”, argumenta Barbieri.
Com as pesquisas em andamento, as equipes estão solicitando a colaboração de toda a comunidade. Elas contam com a atenção das mães ou futuras mães, moradoras em Ribeirão Preto, para o estudo. Contatos: Viviane ou Marco Barbieri, fones: (16) 3602.3316, 3602.3317 e 3602.3306. E-mails: hbettiol@fmrp.usp.br e vicuca@fmrp.usp.br